por Julio Preuss
Depois da resolução em megapixels, aquilo que as pessoas mais costumam pesquisar ao comprar uma câmera digital é o zoom, um outro conceito que pode causar uma certa confusão. Quase sempre especificado em "X", o número se refere à quantidade de vezes que a objetiva da máquina é capaz de aumentar sua distância focal entre o ponto mínimo e o máximo, geralmente ampliando a imagem.
Para entender melhor o zoom, comecemos, então, pela tal distância focal. Raios de luz paralelos capturados por uma lente focada no infinito convergem para o chamado ponto focal, localizado no centro do sensor da câmera (ou do filme, nas convencionais). À distância entre o centro ótico da lente (que eventualmente pode estar fisicamente localizado fora dela) e este ponto, dá se o nome de distância focal.
Um outro conceito importante é o ângulo de visão. Por uma simples questão de geometria, quanto maior a distância focal, menor será o ângulo de visão. Ou seja: aquela lente que permite enxergar em detalhes um passarinho pousado numa árvore a cem metros de distância também nos dará uma visão bem mais limitada da árvore como um todo. Sabe quando tentamos fotografar um grupo e amigos em uma sala pequena e eles não "cabem" todos na foto? O ângulo de visão maior proporcionado por uma distância focal menor provavelmente ajudaria.
Normal, grande-angular ou tele?
Nas câmeras de 35mm (as mais comuns dentre as de filme), as lentes com distância focal de 50mm, por capturar imagens mais ou menos da mesma forma que a visão humana (tanto em termos de aproximação, quanto de ângulo de visão), ficaram conhecidas como "normais". Acima disso, temos lentes que aproximam as imagens, chamadas de "teles"; abaixo, as "grande-angulares, ou "wides".
Para ser mais específico, ainda podemos chamar as lentes que aproximam muito de "superteles" e as que mais afastam de "ultrawides". Existem também as "olho-de-peixe", ou fisheye, um tipo de ultrawide que não se esforça em corrigir a distorção provocada por um ângulo de visão tão grande, freqüentemente acima de 180 graus, mas elas são raras, caras e têm aplicações bem limitadas.
Exceto pelas lentes fixas, ou "primes", a maioria das objetivas atuais permitem variar a distância focal, aproximando ou afastando o objeto fotografado. Isto é o tão comentado zoom! Uma lente 28-135mm, por exemplo, vai desde o território das grande-angulares até o das teles, obviamente passando pelos 50mm das normais. De "quanto" é o zoom? Basta dividir 135 por 28: esta lente tem zoom de 4,8 X.
Voltando à definição lá do primeiro parágrafo, tratemos de esclarecer duas confusões muito comuns. Primeiro, a falsa noção de que o zoom sempre faz um objeto distante aparecer pertinho. Uma zoom grande-angular de 10-20mm, por exemplo, tem zoom de 2X mas está sempre abaixo dos 50mm "normais", apenas "afastando" mais ou menos a imagem.
Segundo, a idéia de que aquelas lentes enormes que os fotógrafos esportivos usam têm um zoom enorme. Nem sempre: pode ser uma supertele de 600mm que, por ser fixa, simplesmente não tem zoom nenhum. Ou uma 100-300mm cujo zoom de 3X é bem menor que os quase 5X da 28-135mm mencionada anteriormente, embora sua maior distância focal seja mais que o dobro. Essas lentes gigantes sempre têm distâncias focais avantajadas, mas não necessariamente o zoom.
Fator de conversão
Vale lembrar que, em quase todas as digitais, o tamanho reduzido dos sensores mencionado na coluna anterior muda totalmente esse panorama: distâncias focais consideravelmente menores produzem resultados semelhantes. Felizmente, para facilitar a nossa vida, os fabricantes costumam informar a equivalência desses números a uma câmera de 35mm, onde vale a história da normal de 50mm.
Digamos, porém, que a informação não seja especificada. Neste caso, basta descobrir o chamado "fator de conversão" da câmera, que nada mais é do que a relação entre o tamanho de seu sensor e um fotograma de 35mm, sempre considerando a medida da diagonal, para minimizar o impacto de proporções diferentes (as câmeras de filme tinham proporção 3×2, enquanto a maioria das digitais é 4×3).
Na última coluna havíamos citado o exemplo da Nikon Coolpix S80, uma ultracompacta com sensor de 6,16 x 4,62 mm que, segundo o bom e velho Pitágoras, dá uma diagonal de 7,7mm. Como os aproximadamente 43 mm de diagonal de um fotograma de 35 mm correspondem a cerca de 5,5 vezes isso, a lente 6,3-31,5 mm da pequena Coolpix se comporta como uma 35-175 mm (mas repare que os 5 x de zoom se mantém inalterados).
Na prática, dificilmente você terá que fazer essas contas para saber a equivalência de uma digital compacta, pois é mais fácil encontrar um lugar que informe as distâncias já convertidas do que o tamanho do sensor. Quando entramos no território das câmeras com lentes intercambiáveis (geralmente as reflex, ou SLRs), entretanto, saber o fator de conversão se torna indispensável – simplesmente porque todas lentes trazem apenas a distância focal para câmeras de 35mm, mesmo quando nem serviriam nelas.
Fonte: http://www.techtudo.com.br/platb/fotografia/2010/12/13/zoom-hora-de-entender-o-x-da-questao/